
A PERCEPÇÃO
Moacir Moura
Quarta, 19 de Março de 2008
As empresas investem tempo e dinheiro na construção de diferenciais competitivos que lhes garantam um futuro melhor na mente e no coração dos clientes. Não economizam em estudos, modelos avançados, softwares modernos e programas sofisticados. Tudo para sentirem a agradável sensação de estar um passo à frente da concorrência. No mundo da inteligência competitiva, basta um passo à frente. Espaço representado em meses, não mais em anos.
Entretanto, - sempre haverá um entretanto no mundo corporativo - em se tratando de diferenciais verdadeiros, aqueles percebidos pelos clientes, quanto mais práticos, simples e funcionais, melhores. Aliás, se sua empresa não for extraordinariamente simples, cuja estratégia se quer precisa de explicações para os clientes internos e externos compreenderem, trate agora mesmo de simplificar tudo. Menos papéis, menos reuniões, mais lucros.
Organizações complicadas, cheias de normas e relatórios, fogem da realidade e se distanciam do mercado. A realidade interna ganha mais valor do que a externa. Seus gestores especializam-se em nadar em piscinas secas. A hipótese à frente da realidade. Buscando diferenciais a partir de premissas internas, acabam construindo barreiras que dificultam a inserção da empresa no novo mundo globalizado, ágil e competitivo. O mundo do conhecimento.
Em se tratando de loja, muitas vezes a prolongação do horário de atendimento torna-se um diferencial em relação à concorrência, cujos clientes só podem comprar depois das 19 horas. Ou querem um atendimento personalizado, depois de o estabelecimento ter baixado suas portas. Entrega em domicílio. Se os concorrentes são inflexíveis e não se dispõem a fazer isso, eis aí um diferencial fácil e gratuito. Aproveite.
A grande diferença pode estar na variedade. Uma linha, uma categoria a mais com as quais a concorrência não trabalha, por capricho, comodismo ou incompetência. Diferencial não se fabrica da noite para o dia, pronto está aqui a nossa vantagem competitiva. Acabou de chegar. Ele deve ser construído ao longo do tempo. Com trabalho, visão estratégica, senso de observação e grande determinação para servir o cliente com amor. Agradar e surpreender a cada venda. Com conteúdo e serviços.
Sempre que uma empresa procura servir, agregar serviços aos seus produtos, está, automaticamente, construindo diferenciais competitivos. Desde que seja de forma consciente e com objetivos determinados. Com metas definidas. Nada acontece por acaso. Tudo à luz da percepção dos clientes. São eles que devem sentir, experimentar, viver e aprovar tais diferenciais, não você.
À medida que a oferta dilata-se, surgem mais produtos que parecem irmãos gêmeos de pais distantes e desconhecidos. Nesse cenário, fica mais difícil desenvolver inovações tecnológicas no que você vende. Melhor trabalhar um diferencial subjetivo no campo do "como" a sua empresa vende. Inovar no processo de gestão. Inovar na operação. Nos canais de distribuição, no sabor, na cereja e no laço do bolo. No atendimento enfim.
Produzir uma obra de arte é natural para o artista. Atribuir valor a essa obra, divulgá-la e faze-la chegar aos pontos de vendas mais famosos, muitas vezes é uma trabalho mais complexo e demorado do que o esforço artístico do gênio. Quem paga milhões de dólares por uma obra, não paga pelo quadro em si, mas pela história que está por trás e pelo valor representativo que todo o processo de comercialização conseguiu atribuir ao produto.
Por melhor que seja a sua "obra de arte" (produtos, tecnologia, marca), o consumidor está mais interessado em saber qual é a sua habilidade para disponibilizar isso tudo com eficiência no local certo, na quantidade certa, no timing certo e por um preço justo. É na hora da verdade, na experiência do consumidor durante e depois da compra que o diferencial se confirma. Ou não.
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