
Argentina já tem apagão por falta de energia e gás
Administrador
Quarta, 30 de Maio de 2007
A ameaça de apagão se concretizou esta semana na Argentina. Na segunda-feira à noite, por volta de 19h30, faltou luz em quase toda a capital portenha, atingindo inclusive os bairros mais abonados (Palermo, Recoleta e Barrio Norte), que até agora tinham sido poupados de outros cortes pontuais de energia.
A ameaça de desabastecimento não atingiu só a energia elétrica. Também faltou gás em 44 das 720 escolas da capital e em dezenas de residências, interrompendo a calefação - praticamente todos os edifícios públicos, privados e residências têm sistemas de aquecimento a gás. Para complicar ainda mais o quadro, no fim da tarde a Sociedade Rural Argentina divulgou um comunicado alertando para a falta de diesel nas regiões agrícolas de Puerto Deseado, Santa Cruz, Curuzú Cuatiá, Corrientes, Buenos Aires, Entre Ríos e Santa Fé.
O motivo da falta de eletricidade e gás foi a queda brusca da temperatura, que levou a população a acionar todos os aparatos de aquecimento do ar e da água. Em pleno outono, a temperatura baixou a 1ºC em Buenos Aires e 18ºC negativos nas províncias do Sul.
Para minorar os efeitos do excesso de demanda, o governo ordenou que as indústrias e o comércio reduzissem seu consumo a fim de priorizar o atendimento às residências. A crise energética ultrapassou as fronteiras argentinas. O governo mandou suspender o fornecimento de gás para o Chile, provocando a reação do governo vizinho (leia matéria abaixo). O envio de gás ao Chile, que por contrato deveria ser de 20 milhões de metros cúbicos em média, baixou na segunda-feira para apenas 2 milhões.
Explicação do governo
Uma fonte do governo, que pediu para não ser identificada, explicou que esta semana se combinaram circunstâncias distintas que desencadearam o apagão em várias zonas da capital e da grande Buenos Aires. A explicação é mais complexa que a falta de investimentos porque, somado ao recorde de baixa da temperatura, a demanda atingiu o 18.300 MW/h.
Questionado sobre os resultados de investimentos anunciados no ano passado, quando todos os analistas já alertavam para o risco de apagão no país em 2007, a fonte respondeu que há obras estatais de expansão em andamento, que terão sua maturação em 2009, como a de ampliação da capacidade da usina hidrelétrica de Yaciretá, que a Argentina partilha com o Paraguai, e em 2010, como a construção da usina nuclear de Atucha 2, além de outras como a extensão em 500KV da capacidade da rede de transmissão.
Há também investimentos privados, como o aumento da geração de centrais térmicas da companhia Pampa Holding e Sadesa. Todas com projeção de término a médio e longo prazo. A previsão de conclusão da Central Térmica San Martín (Rosário) e Belgrano (Campana) é 2008.
A conjunção de fatores negativos culminou com defeitos técnicos apresentados há um mês em algumas centrais como a nuclear Atucha 1 e Central Puerto, e o incêndio em uma estação transformadora em Buenos Aires, que restringiram a oferta no momento de pico de demanda. O setor energético tem naturalmente um desequilíbrio estrutural , diz Luciana Dias Frers. No mundo inteiro se questiona as matrizes e há déficit de investimentos, o que na Argentina está agravado pelas distorções de preços e acordos tarifários ainda pendentes , afirma.
Fonte: G1
Deixe seu Comentário
Nome (Obrigatório)
E-Mail (Não será publicado) (Obrigatório)
Mensagem