
Negócios diet e light engordam os bolsos
Administrador
Terça, 29 de Maio de 2007
A empresa de Raquel Simis fabrica bolos, pães de mel, biscoitos e tortas - todos sem açúcar. A empresária tem um jeito próprio para desenvolver os produtos. Primeiro, ela faz a receita normal, com açúcar. Depois, Raquel tenta reproduzir o mesmo sabor, na versão sem açúcar.
"Os fornecedores de insumos para indústria alimentícia têm vários produtos que no conjunto substituem o açúcar. Um dá corpo, o outro ajuda a arear, o terceiro adoça. E a gente procurou desenvolver o produto mais caseiro possível", explica Raquel.
A empresária não possui o registro diet do Ministério da Saúde. Por isso, ela vende os doces com a frase "sem adição de açúcar" na embalagem. Raquel usa ingredientes integrais selecionados para atrair o consumidor que busca alimentação saudável. A matéria-prima mais cara chega a dobrar o preço do produto em relação à versão tradicional. A saída é focar num público de melhor poder aquisitivo.
"Há procura, o consumidor está mais informado, mais exigente. De 1999, quando comecei, até agora, a gente percebe que se antes precisava convencer o dono do restaurante a ter uma alternativa para esse tipo de público, hoje eles estão interessados em ter, porque é um filão que realmente aparece", alerta a empresária.
Com R$ 50 mil é possível começar no segmento diet e light. Os principais equipamentos são forno, batedeira e freezer. De acordo com o presidente da Abiad - Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres -, Carlos Eduardo Gouvêa, um bom nicho de mercado é fornecer para restaurantes.
"O pequeno empreendedor pode produzir e entregar o prato pronto ou a sobremesa na versão diet ou light. Essa é a grande porta de entrada para começar a ganhar escala e depois buscar novos canais de distribuição", ensina Carlos Eduardo.
Um dos clientes da fábrica de doce é o restaurante de Júlio Mansilla. A sobremesa é servida em porção individual. Comprar pronto esse tipo de produto é mais fácil e mais barato para o restaurante.
"Não justifica ter toda uma estrutura e uma logística para ter a fabricação própria da sobremesa. Por isso preferimos terceirizar e comprar fora", afirma Júlio.
No restaurante, a procura pela sobremesa sem açúcar cresceu 20% no último ano.
"Porque as mulheres vivem de dieta, elas sempre procuram opções mais light. E depois de uma bela carne que a gente comeu essa é a opção", brinca a cliente Ana Luiza Schiabel.
A FABRICAÇÃO DE DOCES DIET
O marido da empresária Doralice Moretti adora doce de leite. Mas, como ele é diabético, ela nem sempre achava produtos sem açúcar do agrado do marido.
"Havia dificuldade Em encontrar doces diet e pensei: 'Vou começar a estudar e produzir'", conta ela.
Pela legislação, light é todo produto com redução de pelo menos 25% de algum ingrediente como gordura, sal ou açúcar. Já no produto diet há a retirada total de um ingrediente. Fazer doce de leite diet não é tão simples assim. O problema é que quando o açúcar é retirado, é difícil dar ponto no doce. E, conforme o adoçante usado, fica com aquele gostinho de amargo no final.
A empresária tem um laboratório para fazer os testes. Ela levou nada menos que dois anos para chegar ao produto final. A primeira lição foi usar um adoçante importado, feito de sucralase, que é um derivado da cana-de-açúcar. Só que o produto é muito caro: um quilo custa R$ 1 mil.
"Todos os demais componentes também são importados. Então, é um doce que encarece a fabricação, acredito, em 50 %", contabiliza a empresária.
Outro segredo da receita: para o doce não escurecer, a empresa trocou as batedeiras por equipamentos mais rápidos.
"A rotação dela está em torno de 100 rpm, o que agiliza o cozimento do doce e com isso a coloração dele fica bem mais clara", aponta Edlso Padial, gerente da fábrica.
Na produção do doce é preciso ficar atento para não passar do ponto. A supervisora Vera Mendes faz testes o tempo todo. O doce, então, é envasado e etiquetado. A empresa faz o produto com vários sabores: doce de leite com ameixa, com coco e com chocolate. E o produto leva o selo diet, do Ministério da Saúde.
"O registro no Ministério da Saúde é bem meticuloso, você tem que fazer análises em laboratórios oficiais. E é uma responsabilidade muito grande você fazer doces para quem não pode ingerir açúcar", alerta Doralice.
A empresária dá as dicas para quem quer montar um negócio como este. Ela começou com R$ 30 mil. Além de não conter açúcar, o doce de leite tem 60% menos gordura e isto ajuda a conquistar mais clientes. Este ano a empresa lançou também geléias diet, de quatro sabores. A previsão é chegar ao final do ano com a venda de 100 mil potes de doces por mês.
Fonte: PEGN
Deixe seu Comentário
Nome (Obrigatório)
E-Mail (Não será publicado) (Obrigatório)
Mensagem