Uma sociedade firme e forte é uma sociedade que pode ser facilmente desfeita!

Para mim são dois os aspectos principais para que uma sociedade dê certo.

1. Relacionamento

É o principal, pois é a base de tudo - e, geralmente, também o motivo do fim de tudo.

É interessante observar o seguinte: de maneira geral não temos grandes problemas nos nossos relacionamentos sociais. Então porque em sociedades empresariais (e outras) isso é tão comum?

O problema, a dificuldade, não é o relacionamento em si, e sim, as circunstâncias, as condições em que ele ocorre. Analise qualquer conflito de relacionamento e você verá que, na verdade, o problema é principalmente o potencial das conseqüências das soluções possíveis. Este sim, é o ponto principal - as possíveis conseqüências das alternativas do entendimento. Explícitas ou veladas, comumente elas são prejudiciais ou até inaceitáveis, para uma das partes, ou mesmo para as duas. Nesta situação, a razão, o bom senso, o equilíbrio, a boa vontade, tudo parece se tornar impotente. É a situação também conhecida por "rabo preso".

Onde está a solução então?

A solução está na origem. Na origem da sociedade. Naestrutura da sociedade.

Uma sociedade firme e forte é uma sociedade que pode ser facilmente desfeita. Pelos sócios.

Paradoxo? Parece, mas não é - pelo contrário, é uma grande verdade. É o melhor fundamento para uma sociedade dar certo.

Para ilustrar, imagine-se decidindo um investimento de alto risco na empresa, com um sócio para quem o sucesso do negócio é "questão de vida ou morte". Ou pense porque a felicidade parece ser tão mais comum no namoro que no casamento.

2. Dinheiro

Nas sociedades que geram lucro - dinheiro - surge um "problema". Como dividir, de forma justa? O comum "meio a meio" normalmente passa a se considerado injusto em pouquíssimo tempo. Afinal, você trabalha muito mais que ele(a)...

Novamente a questão está na origem da sociedade. Agora não na estrutura, mas no conceito, ou melhor, em dois conceitos.

O primeiro é sobre como dividir o lucro. O segundo é sobre os honorários.

A primeira coisa é entender que existem, que devem existir, os dois. Não juntar, não confundir as coisas.

O lucro deve ser dividido na proporção do capital de cada sócio. Simplesmente isso. O cuidado deve ser para que o capital de cada um seja efetivamente real, correto, justo. Se você está entrando com 5 mil e seu sócio também com 5 mil, porém você já tem uma boa carteira de clientes e um bom conhecimento técnico, e seu sócio, além da boa vontade, apenas o dinheiro, recomendo discutir e negociar isso antes: você pode lhe vender esses "bens", eles podem entrar na composição do capital, alterando ou não a proporção. O importante é discutir, negociar e chegar a um bom acordo antes de firmar o contrato!

Os honorários dos sócios devem ser correspondentes ao trabalho de cada um. Simplesmente isso, também. E, o cuidado aqui, é fazer isso de forma muito realista. Realista perante o mercado. Se você trabalhar como um diretor, você deve ganhar como um diretor. Se trabalhar como office-boy, deve ganhar como um office-boy. Se for meio período, é meio período. A melhor conduta é avaliar quanto se precisaria pagar a um profissional, um empregado, para fazer a mesma coisa. Se você estiver trabalhando como office-boy e não aceitar ganhar menos que um gerente, despeça-se (como empregado) e contrate um - ao preço de mercado - isso é justo, profissional, e saudável, para a sociedade, para a empresa.

Colunista: Charbel A. Antonio