
PLANEJAMENTO NA GESTÃO: E SE…
Gabriel L. S. Galvão
Terça, 24 de Julho de 2007
Assisti nessa manhã (23/07) uma entrevista onde uma gestora acabou dando uma resposta que denunciou sua falta de senso de administração ao exercer suas responsabilidades. É que estamos passando por uma séria greve dos professores do ensino médio aqui em Pernambuco. Tudo já havia sido tentado, mas como o governador não dá o que eles querem, e merecem, eles não arredam o pé. Então, na entrevista, a jornalista perguntou à gestora sobre um ponto claro e óbvio:
"- Foi feita contratação temporária de professores, para o caso de eles não voltarem?"
A gestora, representante da educação do Estado, responde:
"- Não será necessário, pois já foi decretado judicialmente que eles devem voltar essa semana."
"- E se eles não voltarem."
A gestora vacila e responde besteira:
"- Entendemos que eles irão voltar, já que foi emitido decreto judicial."
A alegação dada pela representante mostrou para mim, e provavelmente para seus superiores no Governo Estadual, que ela não se preparou para uma das mais traiçoeira armadilhas que atrapalham uma boa gestão: o "se"!
Ciclo de Planejamento
O danado do "se" engana muita gente. Nesse caso, driblou direitinho a intuição da gestora da educação em PE. Ela se garantiu em uma decisão judicial, crente que os professores acatariam, e não preparou um "plano B" o caso disso dar errado, sendo pega de surpresa. Quem sofreu bastante com isso foram os coitados dos alunos.
O "se" não ataca somente o governo. Pode acometer qualquer empresa de qualquer ramo. Quem usar do planejamento estratégico está na mira do "se". O "se" fica na espreita do administrador descuidado, que não se preocupa em se planejar para o caso do seu primeiro plano dar errado.
Pode causar a desgraça de uma empresa em um só golpe, apunhalando por trás o gestor.
Por conta disso, o profissional deve prestar atenção no quesito planejamento, formatando o plano de forma que a maioria das possibilidades de erro seja diminuída. Plano perfeito, só em filme, mas um plano muito bom pode sim ser elaborado. Porém, na minha visão, o que mais atrapalha o gestor na hora de planejar corretamente é a pretensão do profissional. O administrador, como qualquer pessoa, sempre corre o risco de se achar auto-suficiente e então pensar que não é necessária a ajuda dos demais profissionais envolvidos no processo. Deve ele ficar atento quanto a isso e ter a humildade de reconhecer que não é dono da verdade. Deve pedir a opinião dos colegas, que certamente apontarão detalhes que ele não havia percebido, como, por exemplo, o simples fato dos professores não darem a mínima para uma decisão judicial.
Um bom planejamento é fundamental para o sucesso de cada ação dentro da empresa, seja pública ou privada. E para esse bom plano, devem ser levadas em consideração todas as variáveis possíveis naquele momento, inclusive a de acontecer justamente o inesperado. O maldoso "se" deve sempre ser cercado, amarrado com vários metros de corda e vigiado. Matreiro, o "se" sempre acha uma forma de escapar, mas o quanto mais distante podermos mantê-lo, melhor para nossos planos!
Colunista: Gabriel Galvão
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Meta, Profissional, Planejamento, Administração, Estratégia, Gestão, Planejamento Estratégico, Risco, Fundamental, Administradores, Plano, Responsabilidade, Plano B, Contratação, Planejar,
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