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ESCOLHER, DECIDIR E MUDAR

Segunda, 22 de Setembro de 2008
A vida é uma sucessão de escolhas, decisões e mudanças para as quais somos empurrados com freqüência e ninguém pode cumprir o nosso papel nesse sentido. Somos inteiramente responsáveis por elas, portanto, além de ser uma necessidade permanente, escolher, decidir e mudar é a única certeza visível, uma verdade incontestável na vida pessoal e no mundo dos negócios.

De fato, diariamente somos obrigados a escolher, decidir e mudar, ou não, o que queremos para o momento seguinte, para o dia seguinte e, por vezes, para uma vida inteira, muitas vezes sob pressão, outras diante de oportunidades que podem transformar a nossa história e outras ainda quando a única alternativa nem sempre é aquela que oferece chance de nos trazer felicidade.

O fato é que precisamos escolher e decidir pelo menor custo possível, emocional, social ou financeiro, e isso determina o desenrolar dos acontecimentos, portanto, decidir é uma arte que deve ser aprendida e exercitada. Não há como fugir delas. Elas são as forças motivadoras que caminham ao nosso lado, silentes, para testar a nossa capacidade de realização no mundo.

Avalie o seu estado atual. Há algum tempo você escolheu o caminho, ou foi escolhido por ele, e decidiu seguir em frente. A partir desse momento sua vida tomou um novo rumo. A pessoa com que você vive, a casa onde você mora, a vida que você leva, o curso que você faz e a empresa onde você trabalha fazem parte das escolhas e decisões do passado, portanto, elas são a realidade presente.

O tempo passou e tudo o que você fez até aqui parece ter sido em vão. A vida lhe parece injusta, as dívidas se acumulam, o amor esfriou, o trabalho não faz o menor sentido. A pressão da sociedade é incompatível com a sua capacidade de absorção dos problemas e a vida continua batendo na sua cabeça. Entretanto, você já percorreu metade do caminho.

Apesar de tudo, quando o desespero bater à sua porta, lembre-se das três palavras mágicas capazes de transformar a sua vida: escolher, decidir e mudar. Embora estejam inteiramente relacionadas, elas apresentam significados e funções diferentes. De uma forma ou de outra, podem fazer a diferença na sua vida pessoal e profissional.

Escolher significa optar entre duas ou mais possibilidades antes de torná-la um hábito, uma mania, uma virtude: o bem e o mal; o certo e o errado; o preto, o branco e o vermelho. Decidir tem sua origem no latim decidere e significa cortar, romper, mudar definitivamente a condução de determinada situação ou a forma de algo que não interessa mais e, a partir daí, executar ou prender-se apenas àquilo que é essencial ou importante eliminando as demais alternativas. Mudar significa altera uma situação que já não corresponde mais às suas expectativas.

Escolher (livre arbítrio), decidir (romper o padrão) e mudar (entrar em ação) são direitos universalmente garantidos aos seres humanos em todos os cantos da Terra. A grande dificuldade é que para isso acontecer dependemos sempre de um fator motivador, geralmente quando a situação se torna insustentável.

Infelizmente, por razões que não vale a pena entender, você não muda o estado passado nem deve gastar tempo e energia sobre ele, entretanto, o futuro está em suas mãos. O estado presente é resultado de ações tomadas no passado e o estado futuro será resultado das ações que você está imaginando conscientemente enquanto lê esse texto.

Todas as pessoas passam por um momento na vida em que é necessário praticar o livre arbítrio, escolher o caminho menos doloroso e entrar em ação para mudar o estado das coisas. Você não precisa continuar levando uma vida medíocre, casado com a pessoa errada, trabalhando na empresa errada, suportando um chefe inescrupuloso ou fazendo o curso que não gosta apenas porque no passado você optou erradamente por isso.

Os erros são os maiores aliados do aprendizado e o mundo é um celeiro de oportunidades, cujas escolhas, decisões e mudanças são determinantes para a criação de uma nova perspectiva. Não se apavore pelas expectativas alheias em relação à sua pessoa. Quando você aprender a dizer não, eliminar o que não é essencial e der mais valor à sua capacidade de realização, escolher, decidir e mudar será apenas uma questão de hábito. Entretanto, os fatos não deixam de existir apenas porque são ignorados. Se você olhar apenas para o passado não conseguirá mudar o estado futuro.

De acordo com Albert Einstein, Premio Nobel de Física, “os problemas significativos que enfrentamos não poderão ser resolvidos pelo mesmo nível de pensamento que os criou”, portanto, dê o primeiro passo com fé, escolha um caminho, decida o que você realmente quer e mude sua vida antes que a mão dura do destino toque seus ombros.

Por fim, pare de mentir para si mesmo, de carregar os outros nas costas ou de agradar os outros apenas para se sentir mais integrante do meio enquanto a vida passa afortunadamente diante dos seus olhos. Você é especial e, tal como milhares de pessoas bem-sucedidas, você tem direito a ser feliz, você conta. Pense nisso e seja feliz!

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PARA OBTER MELHORES RESULTADOS NA NEGOCIAÇÃO

Sexta, 19 de Setembro de 2008
Uma negociação será eficaz e terá resultados otimizados fundamentalmente a partir de um planejamento consistente no qual terão grande peso o conhecimento e a experiência dos participantes.

Todavia é sempre oportuno lembrar que não raro há espaço para se agregar algo mais. Durante anos participando de negociações contatando experientes profissionais constatei que há pelo menos oito ações que se empreendidas em um encontro resultam em inconteste melhoria para o relacionamento e em vantagens para os negociadores resultando na efetiva otimização dos resultados, gerando mais valor.

Permita-me mostrá-las objetivamente na forma do quadro a seguir:

Para otimizar o resultado
da negociação deve-se
Vantagens para o
relacionamento :
Vantagens
para os negociadores :
Priorizar a razão sobre a emoção.


Compreender o outro


Saber ouvir e como utilizar a informação

Ser ético



Abrir-se à persuasão e buscar persuadir



Aceitar o outro como é
buscando conhecê-lo melhor


Apresentar opções
Diminui a probabilidade
de um conflito.


Menos impasse


Gera comunicação proativa

Gera credibilidade e respeito


Se persuadidos e não coagidos o resultado é fiel comprometimento


Facilita lidar com as diferenças individuais.Cada pessoa é um universo.

Flexibiliza as alternativas
Vê melhor a realidade e cometem-se menos equívocos.

Quanto mais conscientes mais oportunidades

Mais sinergia e menor risco de erro e de impasse

Idéias com mais legitimidade e mútua aceitação

De mente aberta aperfeiçoamos um resultado mutuamente satisfatório

Compreendendo melhor o outro os obstáculos e impasses tendem a desaparecer


Abre espaço para novas idéias rumo ao acordo


A partir de um evento negocial onde você criteriosamente execute o planejamento, a execução e o controle do processo a utilização das ações acima indubitavelmente o levarão a um ainda melhor resultado.

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A causa fundamental

Sexta, 19 de Setembro de 2008
Certa vez, li uma frase atribuída ao Dalai Lama que dizia, mais ou menos, o seguinte: “Se um rio estiver envenenado e você quiser descobrir de onde vem o veneno, deve seguir correnteza acima até descobrir a fonte do veneno”.

A mesma lógica é usada por quem trabalha com qualidade total – o que os japoneses chamam de “causa fundamental”, ou seja, a raiz de um problema. Sempre que acontece alguma coisa, é preciso perguntar por que isso ocorreu e continuar perguntando até descobrir a causa fundamental.

Em vendas, isso tem sido muito útil, principalmente quando ouço aquela pergunta “Raúl, como faço para vender mais?”. E a causa fundamental está invariavelmente ligada a quatro grandes fatores: falta de uma definição clara da missão, erros de posicionamento, estratégias desalinhadas e metas confusas. Tratarei dos três últimos assuntos no futuro, porque hoje quero me concentrar na questão da missão, muitas vezes esquecida ou maltratada. Uma missão clara e bem-definida, seja a missão da empresa ou sua missão pessoal, traz três grandes vantagens:

- Um senso claro de propósito – Quando a missão é clara, todo mundo entende quais são os objetivos, qual o “norte” para onde estamos indo. Muito menos tempo é perdido com reuniões e discussões desnecessárias.

- Facilidade maior na tomada de decisões – O especialista Brian Tracy diz que nossa vida é uma seqüência natural de problemas, como ondas no mar, uma atrás da outra. E, de vez em quando vem uma onda maior – a crise. Ou seja, a vida tem uma seqüência, mais ou menos, assim: problema, problema, problema, crise! Problema, problema, etc. Ter uma missão clara e definida ajuda a lidar com esses problemas, pois na hora de decidir entre as alternativas disponíveis tem-se uma referência forte: ou está alinhado com a missão ou não está.

- Moral elevado – Equipes que têm um forte senso de propósito e um norte claro para a tomada de decisões obtêm como benefício direto uma motivação maior da equipe. Um estudo feito mundialmente pela Watson Wyatt, por exemplo, mostrou que as empresas com missão clara, definida e compreendida pelos funcionários tinham lucratividade 30% maior do que os concorrentes “perdidos” (sem missão).

Acredito que as próprias equipes de vendas devem também ter suas missões muito claras. Aliás, esse é um exercício muito interessante – reúna seus vendedores e pergunte a eles é a missão de cada um como vendedor. Você descobrirá dezenas de respostas diferentes. E nem todas estarão alinhadas com a missão da própria empresa ou com a visão que a liderança tem sobre sua equipe de vendas. E talvez esteja aqui uma das causas fundamentais de resultados fracos, equipe desmotivada, etc.

Por exemplo: freqüentemente, ouvimos empresas reclamando da guerra de preços. É muito interessante começar a fazer perguntas para vendedores que reclamam disso – a maioria nunca parou para questionar seriamente por que isso realmente ocorre. Por que o cliente acha um produto ou serviço caro? Pode ser uma série de coisas: pode ser que realmente esteja mais caro (pergunta da causa fundamental – por que somos mais caros? Pergunte até encontrar a causa fundamental). Pode ser que o cliente não perceba o valor oferecido (pergunta – por que ele não percebe?). Pode ser que o cliente não valorize os atributos extras do seu produto ou serviço (pergunta – por que estamos oferecendo isso? Por que ele não valoriza?). Pode ser porque temos concorrentes (pergunta – por que temos concorrentes? Resposta rápida – porque vocês estão vendendo a mesma coisa que os outros). E, assim por diante. Isso tudo faz com que a verdadeira raiz do problema e a verdadeira função (e missão) do vendedor sejam questionadas.

Acho que é disto que estamos precisando em vendas – ir atrás das causas fundamentais, da raiz dos problemas, para trabalhar de maneira mais inteligente, mais digna e mais profissional. E tudo começa com a definição clara da sua missão como vendedor. Pare para pensar e notará que todo o restante gira em torno disso.

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O futuro do Brasil na administração

Sexta, 19 de Setembro de 2008
Segundo Drucker, distribuir renda para valer, só com educação. A desigualdade real é, e será cada vez mais, entre gente com educação formal e gente sem ela. Deixar essa lacuna aumentar é perpetuar a exclusão. Qualquer política integradora (racial, social) no Brasil terá de passar pela educação. Instituir cotas para negros é um gesto de boa vontade e reconhecimento. Tem sua simbologia, mas será irrelevante se não vier junto com políticas específicas para facilitar o acesso dos negros à educação. Eu (que tenho um interesse, digamos, epidérmico nesse tema) abriria mão tranqüilamente das cotas, mas não arredaria um palmo na exigência de políticas específicas para facilitar o acesso dos negros ao conhecimento. O que gera riqueza integra e realiza é a aptidão para aplicar conhecimento ao conhecimento. Os grandes desafios da nova sociedade (que Drucker identifica sem ter nenhum país particular em mente, e que eu afirmo serem válidos para o Brasil) são:

1. Aumentar a produtividade qualificando as pessoas, em vez de colocar mais pessoas desqualificadas (recursos) no mercado de trabalho. Pessoas, na era do conhecimento, não são mais trabalho, são capital.

2. Aprender a medir e a aumentar a produtividade dos trabalhadores do conhecimento. Ainda ninguém sabe como fazer isso. Exatamente por isso, países como o nosso têm uma chance realista de queimar etapas e atingir um patamar qualitativamente mais avançado. Não se trata de "progredir", trata-se de inovar. As instituições e as políticas da era do conhecimento são desestabilizadoras. Focam novas formas de trabalhar e produzir. Sua missão é colocar, continuamente, o conhecimento para trabalhar: em ferramentas, em processos, em produtos, no próprio trabalho, no próprio conhecimento. Está tudo meio zero a zero nisso. A única vantagem comparativa dos países desenvolvidos é a proporção de pessoas em condições de contribuir criativamente. Repito: a única. Os brasileiros não precisam ter complexo de inferioridade a elite dos trabalhadores do conhecimento no Brasil (economistas, médicos, engenheiros, gerentes de empresas de certo porte) não deve nada a seus equivalentes nos países desenvolvidos.

Há também a questão demográfica. Nossa proporção de gente mais velha em condições de continuar produzindo está aumentando. O que Drucker (2002, p. 75) diz disso se aplica precisamente ao Brasil.

Já é hora de uma drástica reorientação educacional. Temos de passar de uma concentração quase exclusiva no aprendizado prolongado de jovens para uma nova ênfase em aprendizado contínuo de adultos. O aprendizado contínuo seria uma ousada resposta do setor público à exposição da força de trabalho a uma economia em que o trabalho voltado para o conhecimento é a vantagem comparativa. Mesmo para adultos bem treinados e com alto conhecimento a educação nunca terminará, porque o conhecimento se torna rapidamente obsoleto. A educação contínua de adultos será um dos mais dinâmicos setores da economia.

Para Drucker, aos que estudam, desenvolvem e praticam a Administração, caberá uma participação significativa no desenvolvimento da idéia de solidariedade. A administração por essência envolve participação e parceria para que as coisas possam acontecer.

No que se pode entender segundo o filósofo Peter Drucker a grande palavra do século XXI deverá ser a solidariedade. O profissional não poderá estar alheio a este fato. A globalização tem efeitos tremendamente espetaculares, o que pode aumentar nossa riqueza na comunicação, nos conhecimentos que estamos desenvolvendo, na geração do conhecimento. Porém, esses processos também conduzem ao aumento de desigualdades sociais e nisto a questão da cidadania, a reação do profissional com a cidadania é cada vez mais importante. Demasiadamente influenciadas pela eficiência econômica, os profissionais muitas vezes se esquecem de que têm que buscar a igualdade social em suas gestões têm que buscar, também, fortalecer a cidadania e fortalecer a igualdade social.

Outro grande desafio do século XXI será o multiculturalismo. O profissional de Administração não será alguém que tenha a multiculturalidade, mas que precisamente aproveite a multiculturalidade para enriquecer socialmente as organizações de que participa. Para compreender a dimensão desse desafio e saber explorá-lo construtivamente será importante compreender sociologia, antropologia, ciência política, para então poder transitar entre diferentes realidades sociais e culturais neste mundo globalizado.

Se como pode-se deduzir do pensamento de Peter Drucker na sociedade do conhecimento, os felizes, os zelosos, os organizadores, os que poderão lutar pela igualdade, os que poderão disseminar a idéia de solidariedade serão os tecnólogos do conhecimento, técnicos de computador, designers de software, especialistas em redes, paramédicos, analistas clínicos, especialistas em ultra-som, fisioterapeutas, e outras atuações que não existiam há um século. O que demonstra Drucker com isto é a importância da educação educação formal, não de treinamento tipo mestre-aprendiz.

Nos próximos anos, as instituições educacionais para preparar tecnólogos do conhecimento vão crescer rapidamente em todos os países desenvolvidos e emergentes, da mesma forma que novas instituições de ensino surgiram, no passado, em resposta a novas necessidades. Poucos países oferecem preparação organizada e sistemática para isso. (Drucker, 2002, p.82)

Daí pode-se concluir que, no caso brasileiro, a ênfase atual no ensino fundamental deve conviver com uma ênfase nova: preparação de tecnólogos do conhecimento. Devemos experimentar vários formatos para isso: ensino a distância, cursos curtos, de fim de semana, de até dois anos, workshops, modelos mistos presencial-virtual etc. A atual explosão de ofertas de cursos superiores e MBAs é a resposta a uma oportunidade de mercado: tem mais dinheiro no topo da pirâmide. Mas e o ensino profissional médio? Instituições de ensino profissionalizante devem ser incentivadas, e organizações como o Senac e outras do chamado sistema "S" podem e devem voltar-se rapidamente para isso. Se optarmos por abraçar mesmo nosso "futuro que já chegou", aumentos de produtividade (única chance de sairmos da vala comum dos emergentes) virão daí. Temos de rejeitar a pirâmide tradicional, com essa base enorme de gente despreparada e que deve ter condições de buscar a tal “felicidade”. Temos de construir algo cuja base não seja "embaixo", seja "no meio", entende? Não pode ser MBA no topo, e gente sem nenhuma educação na base. Não podemos deixar a vocação brasileira para produzir abismos sociais se manifestar novamente nisso. Nem todo mundo poderá ser top, mas muito mais gente poderá estar adequadamente empregada e ser produtiva. A esta situação podemos chamar de empreguismo empreendedor.

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O que há de errado com a tal zona de conforto?

Quarta, 17 de Setembro de 2008
Em princípio não há nada de errado! Aliás, conforme o caso, ela chega a ser um fato propício, positivo, a indicar uma situação de excelência em equilíbrio dinâmico. Ou seja, uma condição sujeita a aperfeiçoamento e manutenção periódica. Mas parece que a ordem é malhar o conforto, como se o estilo de vida ideal fosse viver na zona do desconforto.

Então, bom mesmo é dormir numa cama de faquir; banho de chuveiro só com água gelada mesmo no inverno; almoçar jiló, quiabo, escarola e tomar chá de boldo.

Ou, dentro da Organização, trocar toda e qualquer ferramenta gerencial que estiver dando certo para testar outras ainda não validadas e que nos darão dor de cabeça, estresse, custos de implantação e incertezas quanto aos resultados.

Ao passageiro que assim pensa desejo boa viagem.

Para variar, os criadores de modismos e os que lhes dão ouvidos insistem em violentar o simples, barato e correto senso comum que recomenda que “nem tanto ao mar nem tanto a terra”. Em outras palavras, a questão não é mudar e sim melhorar.

Será que não estamos confundindo ansiedade, necessidade de adrenalina, personalidades estressadas por natureza, inquietação com criatividade, empreendedorismo e melhoria continua?

Quando se atinge um patamar de excelência é possível alcançar os objetivos com menos sangue, suor e lágrimas. Em geral, nós ocidentais admiramos a elegância das artes marciais do oriente, o auto controlado do Samurai, a sapiência Zen, mas parece que só podemos vivenciá-las se estivermos com os nervos na flor da pele.

Isso é um equívoco. A excelência pessoal e organizacional não exclui harmonia, paz, tranqüilidade e serenidade, pelo contrário, eles são essências para quem busca a excelência.

O desconforto é aceito voluntariamente desde que tenha data de início e de término e, acima de tudo, que os esforços desprendidos deságüem num paraíso de confortos.

Sim, falo de saúde, educação dos filhos, casa própria, viagens, carros último tipo, bons restaurantes, aposentadoria e outras comodidades que a vida oferece.

Excetuando que tem vocação para Sisifo que, condenado pelos deuses para a eternidade a rolar um pesado rochedo montanha acima, para ter que repetir o mesmo ato no dia seguinte porque a pedra rolava durante a noite morro abaixo, ninguém pensa em estresse eterno.

Portanto, os investimentos que fazemos em nossas carreiras e os esforços organizacionais para aperfeiçoar a qualidade visam a zona de conforto e não o desconforto como estilo de vida.

Então, caro leitor, fique ligado e escute com um ouvido as histórias dos gurus e com o outro ouvido e órgãos do sentido, preste atenção no chamado da vida. A tempestade é bem vinda apenas porque a ela sucede à bonança.

Sangue, suor e lagrimas: tudo bem, mas apenas na medida do inevitável. Depois, sombra e água fresca.